
🇨🇱 Nossa experiência no Chile: vale a pena viajar para Santiago em família?
Viajar para o Chile era algo que queríamos fazer há bastante tempo. Como muitas famílias brasileiras, tínhamos aquela imagem clássica do país: neve, Cordilheira dos Andes, cafés aconchegantes, paisagens bonitas e uma experiência internacional relativamente próxima do Brasil.
Mas aqui no Autistando pelo Mundo gostamos de compartilhar experiências reais, e não apenas aquela versão “instagramável” das viagens.
Então vamos ser sinceros: nós não odiamos o Chile, mas também não voltamos apaixonados pelo destino.
Tivemos momentos legais, conhecemos lugares bonitos e conseguimos descansar um pouco, mas também sentimos que vários pontos da viagem acabaram pesando bastante.
E talvez a principal conclusão tenha sido essa: o Chile parece fazer muito mais sentido quando a viagem gira em torno da neve.
❄️ O Chile parece muito mais interessante no inverno
Essa foi uma sensação que tivemos durante praticamente toda a viagem.
Claro que Santiago é bonita, organizada em algumas regiões e tem bons passeios urbanos. Ver a Cordilheira ao fundo realmente impressiona em alguns momentos.
Mas honestamente? Ficamos com a sensação de que faltava “algo a mais”.
Talvez isso aconteça porque grande parte da identidade turística do Chile está ligada justamente ao inverno, às montanhas nevadas e às experiências de neve.
Como fomos em um período sem neve forte, parecia que estávamos vendo apenas uma parte da experiência completa.
Então hoje provavelmente diríamos: o Chile parece valer muito mais a pena quando o foco principal realmente é inverno e neve.
💸 Achamos o Chile um destino caro
Outro ponto que chamou bastante atenção foi o custo da viagem.
O Chile nos pareceu caro em praticamente tudo: alimentação, mercado, gasolina, atrações, estacionamentos e até pequenos gastos do dia a dia.
E quando se viaja em família isso pesa ainda mais.
Não é apenas o valor de uma refeição. São lanches, água, transporte, pausas, conforto, deslocamentos e imprevistos.
Para famílias neurodivergentes isso pode ficar ainda mais delicado, porque muitas vezes precisamos priorizar conforto e previsibilidade ao invés de simplesmente pegar a opção mais barata.
Então sentimos que o Chile exige um planejamento financeiro mais cuidadoso do que imaginávamos inicialmente.
💸 O custo acabou impactando até nosso roteiro
Uma coisa importante de comentar é que acabamos fazendo menos atividades do que inicialmente planejávamos.
E não foi por falta de interesse.
O principal motivo foi o custo.
Tivemos a sensação de que praticamente tudo envolvia um gasto alto.
Inclusive teve um parque público que visitamos em que até para usar o banheiro precisava pagar.
Isso acabou gerando aquela sensação constante de que tudo tinha um custo extra.
Um exemplo foi o Buin Zoo, o zoológico que visitamos.
Convertendo para reais, os ingressos para nós três ficaram perto de R$300.
O zoológico é bonito e organizado, mas esse tipo de valor pesa bastante quando somado a todos os outros custos da viagem.
Também tivemos atrações que estavam planejadas e acabamos desistindo.
Um exemplo foi o famoso mirante do Sky Costanera.
Queríamos conhecer, mas sinceramente achamos caro para o tipo de experiência oferecida.
E existe outro detalhe importante: no Chile não sentimos aquela cultura forte de parcelamento que existe no Brasil.
Aqui no Brasil muitas vezes conseguimos parcelar ingressos, hospedagens ou compras maiores sem sentir tanto o impacto imediato no orçamento.
Já no Chile a sensação foi de que tudo precisava ser pago praticamente “na hora”, e isso pesa bastante psicologicamente durante a viagem.
⛽ Gasolina cara e muitos pedágios automáticos
Nós alugamos carro durante a viagem porque gostamos da liberdade que isso dá, principalmente viajando em família.
Poder ajustar horários, fazer pausas e mudar o roteiro ajuda bastante no conforto da experiência.
Porém, dirigir no Chile também trouxe alguns pontos de atenção importantes.
Primeiro: a gasolina nos pareceu cara.
Dependendo do quanto a família pretende rodar, isso impacta bastante no orçamento final.
Segundo: os pedágios automáticos.
Santiago possui muitas vias com sistema TAG, que funciona automaticamente.
Para quem aluga carro isso pode gerar bastante confusão no começo da viagem.
É importante perguntar tudo para a locadora:
- 🚗 Como funciona o TAG;
- 💳 Como os pedágios serão cobrados;
- 📄 Se existem taxas administrativas extras;
- ⚠️ Se haverá cobrança posterior no cartão.
Esse tipo de detalhe parece pequeno antes da viagem, mas depois pode virar uma surpresa desagradável.
🏡 Ficamos em Las Condes
Durante nossa estadia escolhemos ficar em Las Condes, um bairro bastante recomendado para turistas em Santiago.
E honestamente, gostamos bastante da região.
Achamos bonito, organizado, moderno e com sensação maior de segurança em comparação com outras áreas da cidade.
Para famílias e pessoas neurodivergentes isso faz bastante diferença.
Ter mercados próximos, ruas mais tranquilas e sensação de segurança ajuda muito na experiência da viagem.
Porém, também sentimos que isso aumentou bastante o custo da hospedagem.
Inclusive, encontrar uma hospedagem realmente boa no Booking foi mais difícil do que imaginávamos.
Muitas opções tinham avaliações estranhas ou então começavam a pedir pagamento antecipado por fora da plataforma.
Isso nos deixou desconfortáveis, porque esse tipo de prática pode abrir espaço para golpes.
Então uma dica importante: tenham bastante cuidado com hospedagens que tentam tirar a negociação de dentro do Booking.
Sempre leiam avaliações recentes e desconfiem de cobranças externas antecipadas.
🧩 Minha experiência como adulta autista viajando
Uma coisa importante de comentar é que quem é autista sou eu, Vitória.
E viajar sendo uma adulta autista muda bastante a forma como percebemos alguns destinos.
Mudanças de rotina, excesso de estímulos, filas, trânsito, idioma diferente e preocupações financeiras acabam gerando um desgaste mental maior.
Então percebemos o quanto detalhes como hospedagem confortável, bairro tranquilo e roteiro menos corrido faziam diferença no nosso bem-estar durante a viagem.
Também achamos importante não lotar o roteiro tentando “aproveitar tudo”.
Em destinos caros existe aquela pressão psicológica de tentar fazer mil atividades para compensar o investimento, mas isso pode transformar a viagem em algo cansativo.
✈️ Nossa experiência com os voos da LATAM
Outro ponto que achamos importante compartilhar foi a experiência dos voos.
Nossa ida foi um voo direto da LATAM saindo de Porto Alegre para Santiago.
O voo tinha mais de 3 horas de duração, mas honestamente nos surpreendemos um pouco negativamente com a estrutura da aeronave.
Era um avião simples, de corredor único, sem telas individuais, sem entretenimento e com um serviço de bordo bastante básico.
O lanche praticamente consistia em uma batata chips e uma barra de cereal.
E isso em um voo internacional relativamente longo, viajando com criança.
Não chegou a ser um problema grave, mas ficou abaixo da expectativa que normalmente criamos quando pensamos em um voo internacional.
Já na volta tivemos uma experiência diferente.
Fizemos o trecho Santiago → Guarulhos em uma aeronave maior, com dois corredores e muito mais confortável.
Nesse voo tivemos manta, travesseiro e uma refeição simples.
Porém, no trecho Guarulhos → Porto Alegre voltamos novamente para uma experiência mais básica, semelhante à da ida.
Então é interessante comentar isso porque muitas vezes imaginamos que todo voo internacional terá uma experiência “premium”, e nem sempre isso acontece — especialmente em voos mais curtos dentro da América do Sul.
🏙️ Santiago é bonita, mas não virou nosso destino favorito
Santiago tem qualidades. Existem regiões bonitas, bons shoppings, parques e uma estrutura urbana relativamente organizada.
Mas sinceramente não foi uma cidade que nos encantou profundamente.
Talvez pela expectativa, talvez pelo custo da viagem ou talvez pela ausência de neve.
Voltamos com a sensação de que foi uma experiência “ok”, mas não inesquecível.
E tudo bem falar isso.
Nem toda viagem precisa ser romantizada como perfeita nas redes sociais.
💬 Nossa conclusão sincera
O Chile foi uma experiência válida para nós, mas honestamente não entrou para nossa lista de destinos favoritos.
Achamos caro, sentimos que muitos custos aparecem durante a viagem e tivemos a impressão de que o país faz muito mais sentido quando o foco realmente é neve.
Isso não significa que seja um destino ruim. Apenas significa que talvez não tenha combinado tanto com o nosso perfil de viagem.
E aqui no Autistando pelo Mundo gostamos justamente de compartilhar experiências reais, porque famílias reais precisam de informações reais para planejar melhor suas viagens.
Nos próximos posts vamos falar mais especificamente sobre os parques, atrações e lugares que visitamos no Chile, trazendo detalhes sobre acessibilidade, conforto, estrutura e experiência sensorial.
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